Raissa vai representar o Brasil na 1ª competição de Segurança Cibernética da WorldSkills

“Ah, uma menina no curso de Redes?! Vai acabar desistindo”, disseram alguns colegas ao verem Raissa Marcon começar o curso técnico em Redes, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Tubarão, cidade onde ela nasceu, no interior de Santa Catarina. Raissa não se abalou e viu gente que achou que ela desistiria parando o curso, enquanto ela foi até o final. Logo após o curso, a convite de um professor, ela participou de uma seletiva estadual para a WorldSkills e ficou em segundo lugar.

Raissa conta que, desde pequena, sabia que trabalharia com algo na área de computação. “Eu sempre fui de exatas, sempre gostei de matemática. Meus pais tinham um computador que, toda vez que dava problema, eu começava a mexer, a fuçar, queria entender como arrumava”, conta. “Resolvi fazer o curso técnico para ver se gostava e me encontrei ali”, conta.

Passado o curso técnico, ela resolveu, então, prestar vestibular. Passou em Engenharia de Redes na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e no superior de Tecnologia em Redes, no SENAI de Floarianópolis. “O meu curso na UFSC era em Arangá, uma cidade pequena, com pouca oportunidade de trabalho. Pensei bem e resolvi fazer superior no SENAI porque tem muita vaga na área de tecnologia em Florianópolis”, decidiu Raissa, que começou o curso para tecnóloga em 2014, e que hoje, já formada, é contratada de uma empresa de tecnologia na mesma cidade.

Foi então que outro professor da instituição a procurou perguntando se ela não toparia um desafio ainda maior: participar de uma seletiva para uma nova área, Cyber Security, ocupação que pela primeira vez fará parte da Worldskills.

“Por mais que a gente já tivesse o conhecimento de redes, a Cyber Security envolve programação e outros conceitos que tivemos que batalhar muito, treinar bastante pra aprender. É uma área muito abrangente”, explica.

Filha de professora, que atualmente é a diretora de uma escola, Raissa conta que a mãe sempre foi muito exigente com ela. “Minha mãe via uma nota 9 e me dizia ‘tá, tudo bem, mas por que não foi 10?’, então, acho que isso fez com que eu me acostumasse a sempre buscar o topo, a nunca me contentar com a nota média”, explica. “Por isso treinar pra Worldskills, pra mim, vai bem na linha do que eu sempre fui acostumada”, conta Raissa sorrindo.

Na volta do torneio, Raissa pretende continuar trabalhando na empresa de tecnologia e crescer cada vez mais na sua área, que era redes, mas que agora aumentou, com os treinamentos para cyber security. Como aprendeu conceitos forenses, de prevenção e investigação de ataques cibernéticos, ela não descarta nenhuma possibilidade. Pode, inclusive, trabalhar na polícia ajudando a elucidar crimes desta natureza.

Algum comentário?