Tendência de alta de Lula nas pesquisas pode ser acelerada por melhoria na avaliação do governo

14/10/2026 05h26 - Atualizado há 22 horas

Campanha tem tempo e condições para mostrar com maior profundidade as muitas realizações da gestão do presidente

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita às obras do Cinturão das Águas do Ceará, no Barro Branco, Crato – CE

Crédito: Ricardo Stuckert

Mais do que números, o que importa nas pesquisas eleitorais que desde hoje passam a ser divulgadas nesta semana é a tendência. Nesse movimento, a curva da candidatura Lula-Alckmin descreve, no levantamento PoderData, uma clássica elipse de recuperação, acompanhada pelo declínio do adversário bolsonarista. O resultado apurado entre os dias 10 e 12 de outubro, por meio de 3 mil entrevistas por telefone, marca um empate técnico em 51% de intenções para o adversário de extrema-direita e 49% para o democrata. Lula tem alta de quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, enquanto o aglutinador de milicianos desceu dois pontos.

A PoderData produziu um resultado e tanto, que capta apenas parcialmente os efeitos de mobilização dos atos de campanha gigantescos realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, ontem e anteontem. A onda de repercussão desses atos, para o bem ou para o mal, ainda está em propagação. A aproximação entre o presidente e seu adversário é uma mudança positiva em andamento, na qual não se sabe exatamente onde está o teto e nem qual é o piso. A eleição corre sob grande tensão, com detalhes que poderiam ser imperceptíveis em outras campanhas ganhando forte dimensão agora. Cada gesto conta.

Na pesquisa BTG/Nexus, também divulgada hoje, novo empate técnico, em 52% versus 48%, na mesma ordem apontada pela PoderData. No levantamento espontâneo, em que o entrevistado não é confrontado com os nomes em disputa, o filho de Bolsonaro ficou com 46% contra 44% para o filho de dona Lindu, acirrando o empate dentro da margem de erro de dois pontos.

A BTG/Nexus traz um dado que indica à campanha presidencial um caminho para avançar. É o da avaliação do governo Lula. A aprovação da gestão ficou em 45% do universo da pesquisa, com 2.002 eleitores, também entre os dias 10 e 12 deste mês, enquanto a desaprovação se estabeleceu em 50%. Melhorar o dado positivo, que está aquém do que se deve almejar para um governo de muitas realizações, é fundamental para que o desempenho eleitoral da chapa governista acelere. Uma hipótese para sustentar esses dados é a de que a campanha de reeleição não está mostrando o governo em toda a sua dimensão. A gestão, mesmo assim, quase que diariamente tem criado fatos positivos, como a retirada de impostos sobre os combustíveis e novos programas de solução de dívidas.

Não se conhecem, por exemplo, peças publicitárias da campanha à reeleição que destaquem o impressionante desempenho do BNDES no financiamento a grandes obras de infraestrutura, que sempre rendem imagens impactantes tanto em fotos como em vídeos. Ontem, os grandes portais destacaram que o Brasil está em pleno movimento de ultrapassagem sobre os Estados Unidos na condição de maior provedor de alimentos do mundo. Será que isso será mostrado para a população nos filmes oficiais da candidatura? O agro tem fama de rejeitar Lula, mas com certeza essa barreira seria menor se o governo pudesse mostrar, agora, que jamais as verbas subsidiadas de financiamento à produção agropecuária foram tão fartas como na atual gestão. Isso será visto por nós vindo da campanha? Não se sabe nem se nem como.

O ideal para a estratégia de comunicação de Lula teria sido desenvolver temas escolhidos, um a um, a cada programa diário de dez minutos no horário eleitoral. O que foi feito em Educação; as realizações em Saúde; o trabalho e seus resultados na área da Economia; os ganhos obtidos nos últimos quatro anos em Meio Ambiente; e assim por diante. Um bom pedaço de cada programa para mostrar, separadamente, em destaque, os muitos avanços alcançados pelo governo em cada setor.

O que temos, em outra direção, são programas padrões, cheios de efeitos especiais, com dados misturados, apresentados em alta velocidade. Ontem, Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida, sim, o programa fez referência às duas datas, mas apenas isso. Em TV, o que apareceu se chama ‘lapada’, uma mostra bem rápida de um assunto. Neste caso, exatamente porque o governo fez muito pelas crianças e, portanto, para as famílias, o mote da efeméride seria ideal para mostrar, com maior profundidade, o que a gestão fez pelos pequenos, na busca por levar informação que desperte emoção. Dos dez minutos, cinco minutos para isso, e não cinco segundos apenas, como se viu. Igualmente não haveria contraindicações, à medida que os dois nomes da chapa são católicos, em abordar com mais vagar a padroeira do Brasil, de resto instalada no centro da campanha.

Mas tudo bem, os programas de TV dos dois candidatos estão praticamente iguais. Usam as mesmas palavras, ‘mudança’, ‘prosperidade’ e outras. Estão praticamente com as mesmas cores. Ambos não têm jingles do tipo chiclete, que grudam na cabeça das pessoas. É claro que hoje a comunicação vai muito além, todos sabemos, dos programas eleitorais, está por toda a parte. Os programas oficiais das candidaturas ainda cumprem o papel, porém, de atingir o eleitor que está em casa, não mergulhado no debate intenso que agita militantes dos dois lados, à espera de ser surpreendido. Não será pela TV que a batalha terá uma definição. Gafes como a de ontem, quando o programa bolsonarista foi veiculado sem som, naturalmente por um problema de geração da própria campanha, apenas divertem o nosso lado, não derrubam o adversário. Menos mal, naturalmente, que foi lá e não cá.

Fatos novos, que têm espoucado todos os dias, podem mexer com o quadro a qualquer hora, muito mais pela disseminação boca a boca das notícias do que pelo que o horário eleitoral mostraria. Espera-se que as pesquisas Quaest, amanhã, e Datafolha, no dia seguinte, confirmem a aproximação dos dois polos em disputa. Até aqui, os primeiros resultados dos levantamentos já divulgados têm tudo, apesar da pequena diferença numérica negativa, para empolgar ainda mais a militância pró-democracia e pelo Brasil.

Autor Marco Damiani

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