Chefe do contraterrorismo dos EUA renuncia e critica guerra no Irã

18/03/2026 05h47 - Atualizado há 1 dia

Joe Kent disse que regime iraniano não representava ameaça iminente, o que era uma justificativa do governo americano para os ataques

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Fumaça sobe ao céu após explosões ouvidas em Manama, Bahrein, neste sábado (28), causada por um ataque do Irã • Stringer/Reuters

O chefe do setor de contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, anunciou nesta terça-feira (17) que renunciou ao cargo por divergências sobre a guerra com o Irã.

"Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de Diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito a partir de hoje", escreveu Kent em uma publicação no Facebook.

"Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano", acrescentou ele na carta de renúncia anexada à publicação.

Após a onda inicial de ataques contra o Irã, Trump disse que havia uma "ameaça iminente" aos EUA. Além disso, funcionários do governo americano afirmaram que agiram em resposta a possíveis ataques preventivos que o Irã faria contra forças na região.

Essa alegação foi contradita em reuniões do Pentágono com parlamentares, sendo que autoridades da Defesa disseram que o Irã não planejava atacar a menos que fosse atacado primeiro.

A justificativa de Trump para atacar o regime iraniano tem variado entre a proteção dos manifestantes que protestaram nas ruas do Irã em janeiro e a defesa dos EUA contra o risco de o país do Oriente Médio construir armas nucleares e de longo alcance.

Além disso, também afirmou que era necessária a eliminação de um regime que apoiou grupos terroristas que mataram americanos por décadas.

Ele chegou a pedir que o povo iraniano assumisse o controle do país, mesmo enquanto autoridades de alto escalão dos EUA afirmavam que a guerra não visa uma mudança de regime.

O Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Zachary Cohen, da CNN