Guerra no Oriente Médio se espalha com ataques em vários países

02/03/2026 09h53 - Atualizado há 7 horas

Após ataques dos EUA e Israel contra o Irã, Teerã reagiu mirando nos aliados dos americanos na região

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Fumaça sobe ao céu após explosões ouvidas em Manama, Bahrein, neste sábado (28), causada por um ataque do Irã • Stringer/Reuters

Dias após os EUA e Israel lançarem os primeiros ataques contra o Irã, na manhã de sábado (28), o conflito tem se intensificado a cada hora, envolvendo outros países da região, gerando temores para a economia global e deixando milhares de viajantes retidos.

Nesta segunda-feira (2), ataques retaliatórios lançados pelo Irã destruíram qualquer sensação de segurança que seus vizinhos do Golfo tivessem, matando pelo menos 17 pessoas, incluindo quatro militares americanos, em toda a região e em Israel.

Três aeronaves militares americanas caíram no Kuwait nesta segunda-feira, “devido a um aparente incidente de fogo amigo”, informou o Exército dos EUA, acrescentando que todos os seis tripulantes ejetaram e estão “em condição estável”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo (1º) que seu conflito com o Irã poderia durar “cerca de quatro semanas”, oferecendo a indicação mais clara até o momento sobre quanto tempo o governo prevê que a campanha militar durará.

Enquanto isso, Israel lançou uma onda de ataques contra o Líbano, em resposta a uma provocação do Hezbollah na madrugada desta segunda-feira. Os ataques mataram pelo menos 31 pessoas, disseram as autoridades libanesas, e abriram outra frente no conflito.

Ataques conjuntos entre os EUA e Israel mataram pelo menos 555 pessoas no Irã, segundo o Crescente Vermelho Iraniano, incluindo pelo menos 165 pessoas em uma escola primária feminina, informou a mídia estatal do país.

Esses ataques também mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, marcando um ponto de virada na história da nação e deixando os iranianos diante de uma mistura surreal de alívio, incredulidade e ansiedade.

O que está acontecendo agora?

À medida que a guerra se expande, ainda sem os limites definidos pelos objetivos estabelecidos pelo governo Trump, novas frentes estão se abrindo.

O Hezbollah disparou seis projéteis contra uma base do exército israelense ao sul de Haifa "em vingança" pela morte de Khamenei na madrugada desta segunda-feira (2), provocando uma onda furiosa de ataques de Israel na capital, Beirute, e no sul do Líbano.

Esse foi um dos confrontos mais significativos entre os dois grupos desde que um frágil cessar-fogo entrou em vigor em novembro de 2024, e Israel não descartou novas ações.

Um porta-voz militar israelense afirmou que "todas as operações permanecem em aberto" quando questionado sobre a possibilidade de uma operação terrestre.

Enquanto isso, no Kuwait, três jatos americanos foram abatidos por engano pelas defesas aéreas do país do Golfo, informou o CENTCOM (Comando Central dos EUA), acrescentando que a causa está sendo investigada.

Vídeos geolocalizados pela CNN mostraram um caça caindo e um piloto saltando de paraquedas.

Equipes da CNN nas principais cidades do Golfo: Dubai, Abu Dhabi e Doha, ouviram explosões na manhã desta segunda-feira e viram o que pareciam ser mísseis sendo interceptados no céu.

O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel nesta segunda-feira (2), informou o exército israelense.

Diversas explosões foram relatadas em Teerã, enquanto pacientes foram levados de um hospital no norte da cidade no domingo (1º), após o prédio ter sido gravemente danificado, segundo a mídia estatal iraniana.

Quatro militares americanos morreram em combate e cinco ficaram gravemente feridos, informou o CENTCOM.

Quais países foram atingidos até o momento?

Mísseis e drones iranianos atingiram diversos países da região: Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e Arábia Saudita.

Embora a maioria desses mísseis e drones tenha sido abatida por sistemas de defesa aérea, alguns acertaram os alvos.

Pelo menos dez pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em Israel, segundo o Magen David Adom, o serviço de emergência do país. Nove dessas mortes ocorreram quando um míssil iraniano atingiu um abrigo antibombas na cidade de Beit Shemesh, perto de Jerusalém.

Para países do Golfo aliados dos EUA, como os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, a expansão do conflito abalou a sensação de segurança que por muito tempo atraiu expatriados e turistas ocidentais.

Imagens dramáticas de Dubai, no sábado (28), mostraram um hotel de luxo em chamas e pessoas fugindo em um corredor tomado pela fumaça no aeroporto, onde quatro funcionários ficaram feridos.

No Bahrein, um incêndio atingiu os andares superiores de um prédio residencial de vários andares, a cerca de um quilômetro e meio de uma base da Marinha dos EUA, depois de ter sido atingido por um drone iraniano.

Na Arábia Saudita, a refinaria de Ras Tanura foi atingida por um drone lançado por Teerã.

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) anunciou as mortes de quatro militares americanos que foram vítimas de um ataque de drones do Irã, no Kuwait.

Como isso está afetando as viagens?

Com grande parte do espaço aéreo da região fechado e as companhias aéreas obrigadas a cancelar voos em diversas cidades, milhares de pessoas ficaram impedidas de se deslocar.

Grandes aeroportos como Dubai, Abu Dhabi e Doha se consolidaram como importantes nós de conexão para rotas aéreas globais, com milhões de passageiros transitando por eles todos os anos.

Diversas grandes companhias aéreas sediadas nesses aeroportos, incluindo a Emirates e a Etihad em Dubai e Abu Dhabi, e a Qatar Airways em Doha, suspenderam os voos de e para suas bases pelo menos até a tarde desta segunda-feira (2), horário local.

Danos no Irã

Pelo menos 555 pessoas foram mortas no Irã desde o início dos ataques conjuntos entre EUA e Israel no sábado, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho. Dessas, pelo menos 165 pessoas foram mortas em um ataque a uma escola primária feminina, segundo a mídia estatal iraniana.

Pelo menos nove hospitais foram "seriamente danificados" no Irã, conforme a agência de notícias semioficial Mehr, citando um parlamentar.

O presidente Trump afirmou que seu país afundou nove navios da Marinha iraniana e "destruiu em grande parte" o quartel-general da Marinha do país. Um navio da Marinha iraniana atingido no sábado está agora "afundando no fundo do Golfo de Omã", informou o Comando Central dos EUA.

Por que os EUA e Israel atacaram?

Tanto Trump quanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmaram que seus principais objetivos eram defender seus respectivos países das ameaças representadas pelo Irã e, principalmente, impedir que o regime islâmico adquirisse uma arma nuclear, sem apresentar qualquer evidência de que estivesse mais perto de obtê-la.

A Casa Branca havia afirmado anteriormente ter eliminado "totalmente" essa ameaça quando se juntou brevemente à guerra de 12 dias de Israel contra o Irã em junho do ano passado, uma campanha que deixou o regime severamente enfraquecido.

Desde o início do ano, o Irã também vem enfrentando uma crise econômica que desencadeou protestos em todo o país. Enquanto a repressão deixava milhares de manifestantes mortos, Trump prometeu ajudá-los, dizendo que os EUA estavam "prontos para o combate".

Durante semanas, houve uma estranha contradição: enquanto enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um novo acordo nuclear, o governo Trump acumulava material militar no Oriente Médio.

Embora a última rodada de negociações tenha terminado na quinta-feira com o Irã concordando em "nunca" estocar urânio enriquecido, isso não foi suficiente para evitar uma ação militar dos EUA.

Agências de inteligência israelenses e americanas — incluindo a CIA — vinham monitorando os movimentos de Khamenei há meses, aguardando o momento certo para atacar.

Quem está liderando o Irã agora?

Dentro do Irã, o regime está fragilizado, destituído de seu líder supremo Khamenei, mas ainda capaz de lançar ataques por toda a região.

De acordo com a Constituição iraniana, um conselho de liderança composto por três pessoas detém o poder até que o novo líder supremo seja nomeado. Ele inclui o presidente moderado, Masoud Pezeshkian, o chefe linha-dura do judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e um clérigo de alto escalão, aiatolá Alireza Arafi.

Ainda não está claro quanto tempo levará o processo de escolha do sucessor de Khamenei, uma questão ainda mais complicada pelas mortes de vários outros altos oficiais militares nos ataques de sábado.

Issy Ronald, da CNN