Morte de idosa foi encomendada após briga por herança

07/07/2026 10h03 - Atualizado há 4 horas

Acusado de matar idosa foi preso em Campo Grande após fazer funcionária de restaurante refém

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Policiais militares no local onde a vítima foi encontrada. (Reprodução, Polícia Militar)

Homem de 37 anos que afirma ter assassinado Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos, morta a facadas no dia 29 de junho em Ribas do Rio Pardo, a 97 km de Campo Grande, relatou à polícia que o crime foi encomendado por motivo de disputa por herança. O suspeito foi preso no domingo (5) após fazer de refém a funcionária de uma churrascaria na região do Jardim Tarumã, na Capital.

De acordo com o delegado Felipe Braga, o suspeito é natural da Bahia, mas começou sua vida de crimes em Mato Grosso do Sul, em 2014. Ele é considerado de elevada periculosidade pela polícia sul-mato-grossense. Conforme apurado, além da suspeita de participação no homicídio da idosa, ele também é apontado por outro homicídio ocorrido em 2014 na cidade, quando a vítima foi morta com golpes de facadas.

Em um vídeo obtido pela reportagem do Jornal Midiamax, o suspeito confessou de forma espontânea e com exclusividade a sua participação no assassinato da idosa. Na gravação, ele conta que foi convidado por um homem; no entanto, não sabia que o alvo era uma mulher.

“Eu quero esclarecer um crime de uma senhora, de 70 anos, em Ribas do Rio Pardo, no último dia 29. Tem pessoas inocentes que estão sendo procuradas. O menino que foi me buscar de moto não sabia; a menina que emprestou a moto não sabia; até mesmo eu não estava sabendo até chegar lá. O rapaz que encomendou o crime me deu um litro de conhaque e cocaína para eu cheirar e depois falou”, contou o suspeito no vídeo.

Conforme o delegado, “Maria José e a irmã dela estavam em processo de reconhecimento de paternidade, e um familiar não estava feliz com esse processo, com essa disputa judicial relacionada à herança, aqui em Ribas do Rio Pardo.”

O suspeito de encomendar o crime também foi preso pela polícia.

Crime encomendado

O acusado do assassinato ainda afirmou que já havia prometido matar alguém ao homem que encomendou o crime. “Eu já tinha prometido a ele que, quando ele precisasse matar alguém, eu mataria. Eu sou homem de palavra. Quando ele pediu para mim [sic] matar, eu falei que mataria a pessoa. Aí que ele me falou que era uma senhora; como eu tinha prometido, eu fiz. Eu não mato mulher; eu não faço nada com mulher”, completou.

Antes de ele ir até a churrascaria, ele acabou revelando que fez uso de entorpecentes com a intenção de se matar. “Depois disso, eu surtei. Hoje de manhã, tomei cocaína na água. Estou fazendo isso só para morrer mesmo. Foi isso que aconteceu. Eu não quero ser preso, é para atirar, é para matar eu [sic]”, disse durante a gravação do vídeo.

Assassinato de idosa

A idosa, Maria José, foi encontrada por um familiar com perfurações de faca, na manhã do dia 29 de junho. Na ocasião, ela estava caída no chão do quarto de uma casa localizada no bairro Centro Velho, em Ribas do Rio Pardo.

Já nesta segunda-feira (6), além da prisão do suspeito em Campo Grande, outro homem, de 45 anos, foi capturado em Ribas, após o cumprimento do mandado de prisão temporária.

Funcionária refém

A funcionária foi feita de refém na tarde de domingo (5), em Campo Grande. Imagens mostram o autor com uma faca no pescoço da vítima enquanto ameaça os clientes e pede a presença de um policial.

Câmeras de segurança mostraram a ação do suspeito. É possível ver o homem chegando ao estabelecimento e esperando uma cliente terminar de fazer o pagamento. Em seguida, ele, que está de casaco, tira uma faca e aborda a funcionária, que entra em desespero com a ação rápida do homem.

O autor fica com a faca no pescoço da vítima até o momento em que um sargento de folga, que é vizinho do estabelecimento, começa a negociação para soltar a refém.

De acordo com o boletim de ocorrência, Leite, 2º sargento da Polícia Militar, iniciou a negociação enquanto outras equipes da PM se deslocavam até o local.

Foram 30 minutos de negociação com o rapaz, que, segundo testemunhas, estava visivelmente alterado e sob efeito de drogas.

O homem precisou ser algemado para ser encaminhado à delegacia. A vítima não teve ferimentos.

Durante o percurso até a delegacia, a equipe policial percebeu cheiro de fumaça dentro da viatura e percebeu que o rapaz havia colocado fogo no próprio tênis. Segundo o registro policial, o homem havia usado um isqueiro, que estava escondido na cueca dele, para atear fogo no sapato.

Liana Feitosa, Layane Costa

MIDIAMAX