Reviravolta: Laudo revela que morte de Janete não foi feminicídio

13/02/2026 09h55 - Atualizado há 8 horas

Depoimento do filho de Janete, que a socorreu na noite dos fatos, condiz com a versão da médica-legista

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Alípio na prisão, no último fim de semana. (Reprodução, Alfredo Neto, RCN67)

A Polícia Civil de Selvíria, a 390 quilômetros de Campo Grande, concluiu que a morte de Janete Feles Valoes, no último fim de semana, não foi feminicídio. Janete morreu na noite de domingo (8), no Assentamento São Joaquim, e seu companheiro foi preso suspeito de ter cometido o crime.

Na noite daquele domingo (8), Janete foi encontrada, esfaqueada, pelo filho, que havia recebido uma ligação do pai, Alípio Drum Alves, informando que a mãe “havia feito uma besteira”. A informação era de que a vítima estava com uma faca cravada no peito.

Contudo, a faca não estava totalmente cravada. A médica-legista que acompanhou o caso e realizou o laudo necroscópico foi ouvida e constatou que Janete empurrou a faca contra o próprio peito.

“A faca não estava totalmente cravada, o que é característico de suicídios, em contraste com homicídios ou feminicídios, onde a lâmina da faca geralmente penetra completamente no corpo da vítima. A angulação da facada também sugere que a vítima tenha se autoferido”, explicou a Polícia Civil.

Além disso, a polícia revelou que o depoimento do filho de Janete, que a socorreu naquela noite, condiz com a versão da médica-legista. “O filho da vítima, que a socorreu, corroborou a versão apresentada pela médica-legista, afirmando que sua mãe havia confidenciado a ele que estava lutando contra um câncer e tinha intenções de tirar a própria vida”, detalhou a polícia.

Alípio foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio na mesma noite dos fatos e, depois, teve a prisão convertida em preventiva pelo Poder Judiciário. Em interrogatório na delegacia, ele negou a autoria e afirmou que o casal tinha um convívio harmonioso. “Além disso, não há registros de violência entre o casal, e o interrogatório do suspeito também segue na mesma linha, reforçando a hipótese do suicídio”, esclareceu a Polícia Civil.

Diante das investigações, a polícia determinou a exclusão da classificação inicial de feminicídio, alterando o caso para suicídio. “A Polícia Civil conclui a apuração do caso e declara o encerramento das diligências, deixando a equipe à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.”

Relembre o caso

O filho de Janete disse à polícia que recebeu uma ligação do próprio pai pedindo ajuda. Na ligação, ele teria dito que a mãe do jovem “havia feito uma besteira”. Ele foi até a residência dos pais e encontrou a vítima sentada em uma cadeira.

Diante do cenário brutal, o jovem colocou a mãe em seu carro e a levou até a base da concessionária Way, que administra a rodovia. Janete não resistiu e teve a morte constatada pelos socorristas da concessionária.

Com as informações do suspeito, a equipe da PMR iniciou diligências pela região no início da madrugada de segunda-feira (9). Inicialmente, a casa de Alípio estava aberta, mas não havia ninguém.

Minutos depois, os militares retornaram ao imóvel e encontraram o suspeito, que foi encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), em Três Lagoas.

Lívia Bezerra

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