Bolsonarista Presidente da CPMI do INSS mandou R$ 3,6 milhões à fundação da Lagoinha
Carlos Viana é acusado por governistas de blindar a Igreja da Lagoinha nas investigações da CPMI do INSS
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), mandou emendas parlamentares a uma fundação da Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão. No total, a coluna identificou o repasse de R$ 3,6 milhões à entidade.
Em contrapartida, Carlos Viana tem atuado para blindar a Igreja da Lagoinha na CPMI do INSS.
Um dos repasses identificados pela coluna ocorreu em 2019. Na ocasião, Carlos Viana mandou uma emenda Pix de R$ 1,5 milhão à Prefeitura de Belo Horizonte. A verba tinha o destino carimbado: Fundação Oasis.
A Fundação Oasis foi instituída pela Igreja Batista da Lagoinha em 18 de outubro de 1995. Trata-se de um braço social da igreja evangélica.
“Ao longo do histórico das atividades sociais da Fundação Oasis, os projetos têm como princípios básicos a garantia da primazia do bem estar da família, como elemento-chave para a proteção e a socialização dos proprietários, por meio da transmissão do capital cultural, do capital econômico e ético, que determina a Carta Maior de nosso País, a Constituição Federal de 1988”, diz o site da Fundação Oasis.
Os outros repasses identificados pela coluna foram feitos à Fundação Oasis de Capim Branco, na região metropolitana de Belo Horizonte. Um deles ocorreu em 2023, no valor total de R$ 1,47 milhão. O parlamentar enviou mais R$ 650,9 mil à filial em 2025.
A Igreja da Lagoinha entrou na mira da CPMI do INSS após o Metrópoles revelar que Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, teria patrocinado evento de Réveillon promovido pela entidade religiosa no estádio Allianz Parque, do Palmeiras, em 2024.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) também levantou suspeitas sobre a atuação da Clava Forte Bank, fintech ligada à Igreja da Lagoinha, e do empresário Fabiano Zettel, sócio de Daniel Vorcaro e ex-pastor da entidade religiosa.
“Tenho denúncias de que o dinheiro saiu do Banco Master, via Zettel, e ia direto para a Clava Forte Bank. E a fintech e a própria Igreja da Lagoinha repassaram para empresas usadas para lavagem de dinheiro”, afirmou Rogério Corrêa em conversa com a coluna. “Eu preciso comprovar isso, mas preciso da quebra dos sigilos da Clava Forte, e o Viana não pauta”, concluiu o parlamentar.
Os requerimentos de quebra de sigilo da Clava Forte Bank e de André Valadão sequer foram apreciados pela CPMI do INSS.
Tácio Lorran, Manuel Marçal, Melissa Duarte
METRÓPOLES
