Com exército de fiscais, PL tinha noção da derrota desde as 17h
Partido orientou fiscais espalhados pelo país todo a enviar boletins ao PL assim que as urnas fechassem, às 17h
Lucas Pavanato (PL-SP) tuitou às 18h34, que, nesta eleição, não aceitariam “perder”. Dez minutos antes, Nikolas Ferreira (PL-MG) já havia escrito que “Ou a gente ganha. Ou a gente ganha”. Fabio Wajngarten, às 18h18, perguntava se ainda era cedo para falar em golpe. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não havia começado a divulgar a apuração dos votos do segundo turno, neste domingo (25/10), e a tropa de elite do PL já mostrava não confiar que venceria nas urnas.
No Pollymarkt, principal bolsa de apostas da internet, onde Flávio Bolsonaro (PL) era o grande favorito há semanas, Lula virou às 17h07, exatos sete minutos depois de fechadas as urnas. Sem a realização de pesquisa de boca de urna, como os investidores do mundo todo descobriram que o cenário havia virado?
A partir dos boletins de urna.
Ainda que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo, tenha determinado, às 17h05, que a votação continuasse até as 19h (sempre pelo horário de Brasília), a enorme maioria das urnas do país foram fechadas às 17h. E quando isso acontece, é impresso o “boletim de urna”, que diz quantos votos foram depositados naquela urna. Esse papel tem um QR Code.
O PL, a partir de uma ampla campanha de marketing, conseguiu alistar um exército de fiscais de urna, para atuar espalhados pelo país, com até dois por sessão. Esses fiscais foram orientados a permanecerem nos locais de votação até as 17h para, encerrada a votação, escanearem esses códigos.
Em poucos minutos, o PL recebeu uma porção bastante expressiva – e representativa – dos boletins de urna. Grande o suficiente, dado o tamanho desse exército de fiscais, para indicar com boa precisão o resultado da votação, apontando o padrão que se viu na apuração do TSE: Flávio crescendo pouco em cada urna e o petista subindo de 2% a 4%, em média, quando comparados apenas os fotos dados a eles em cada turno.
É a execução, em grande escala, de algo que partidos e veículos de imprensa de cidades menores fazem com frequência: somar os boletins de urnas para saber quem ganhou. A Rede Condá, de Chapecó, por exemplo, fez isso. Às 17h24, já sabia um cenário de 65% para Flávio e 35% para Lula na cidade – foi 64,5% a 35,5%. No primeiro turno havia sido 67,4% x 32,6%. Não é impacto da extensão do horário de votação, é resultado dos votos dados até 17h.
O exército de fiscais do PL gerou para o partido um caminhão de informações sobre os resultados das urnas eleitorais, grande o suficiente para o partido poder apontar se houve qualquer variação entre o resultado que saiu das máquinas às 17h e aquele divulgado pelo TSE.
Essa informação, porém, não pertence só ao PL. Redes sociais como o X (o ex-Twitter) estão repletas de imagens dos boletins de urna que, comparadas com os resultados do primeiro turno, já mostravam, desde as 17h, que Lula cresceu muito mais do que Flávio.
Demétrio Vecchioli
METRÓPOLES
