Datrix: Master faz Flávio perder para Lula liderança de ranking digital
Visita a Trump ajuda senador a recuperar apenas parte da performance perdida no IDP em maio com revelação de diálogos com Vorcaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu a liderança do IDP (Índice Datrix dos Presidenciáveis) em maio de 2026, após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrar a maior queda absoluta do monitoramento, em consequência das revelações de mensagens entre o pré-candidato e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No monitoramento da Datrix, empresa especializada em monitoramento digital, Flávio perdeu 21,8% da performance digital após a divulgação das conversas com Vorcaro, em 13 de maio. No diálogo, o senador cobra do ex-banqueiro parte do valor negociado para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O CEO da Datrix, João Paulo Castro, destaca que a crise de imagem não afetou apenas o chamado mar aberto – medição de quanto e do que se fala sobre um presidenciável a partir de perfis de influenciadores, jornalistas e veículos de imprensa e outros agentes políticos –, mas as próprias redes de Flávio, com menor volume de conteúdos e engajamento.
No fim do mês, entre os dias 26 e 28, o senador se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Em seguida, os EUA anunciaram que classificariam as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
“Esses fatos devolveram tração ao IDP diário do senador, mas não o suficiente para compensar, na percepção pública, o que o caso Master deixou inscrito em duas semanas de mar aberto saturado de negatividade”, explica o CEO da Datrix.
Lula chega ao topo "jogando parado"
A ascensão do petista à liderança do índice não resultou de uma virada própria de sentimento, de acordo com a Datrix. Embora tenha avançado 7,9% no IDP em comparação a abril, esse crescimento por si só não levaria ao topo do pódio se os diálogos entre Flávio e Vorcaro não tivessem vindo a público.
Um dos fatores positivos na agenda de Lula em maio, coincidentemente, também foi uma ida aos EUA para se encontrar com Trump na Casa Branca. Ainda assim, para Castro, o petista “fez gol jogando parado”. “O presidente segue operando dentro do teto reputacional que a polarização impõe e dependendo de erros do adversário para avançar”.
Direita fragmentada
Pela metodologia de medição do IDP, o escândalo do Master provocou efeitos no campo conservador de forma ampla. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que havia apostado no caso como vetor de diferenciação, sofreu a maior queda percentual do índice no agregado do mês.
O cofundador do MBL (Movimento Brasil Livre) e pré-candidato do Missão, Renan Santos, fechou o mês na terceira colocação, mas também apresentou queda no IDP.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), registrou a menor variação no campo oposicionista, um reflexo de uma atitude de maior distanciamento do caso Master e da revelação dos diálogos entre Flávio e Vorcaro.
“Zema e Renan apostaram que atacar Flávio em crise renderia ganho próprio. Os dois foram penalizados: Zema com a maior queda do índice, Renan com diluição de engajamento”, explica o CEO da Datrix. “Caiado, ao manter distanciamento cauteloso, evitou o tombo. Mas também não capitalizou.”
Blog Iuri Pitta - CNN

