Evangélicos progressistas cobram transparência e imparcialidade de Mendonça

11/09/2026 05h48 - Atualizado há 18 horas

Frente que apoia reeleição de Lula diz que fé do ministro não deve ser usada para levantar suspeitas contra “irmãos"

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Ministro André Mendonça, do STF • 01/12/2021REUTERS/Adriano Machado

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento religioso progressista, divulgou nesta quinta-feira (10) uma carta aberta ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). O grupo cobra do magistrado, que também é pastor presbiteriano, transparência, serenidade e imparcialidade na condução das investigações do caso Master.

No texto, a Frente, que já declarou apoio à reeleição do presidente Lula (PT), escreve a Mendonça que “sua fé não deve ser usada para levantar suspeitas contra outros irmãos”, nem servir de “escudo, palanque ou instrumento eleitoral”.

“Pastor presbiteriano, o senhor chegou ao STF apresentado como ‘terrivelmente evangélico’ e tornou-se referência para parte da comunidade evangélica. Esse reconhecimento traz uma responsabilidade ainda maior. Quando um cristão ocupa uma função pública, seus atos também alcançam o nome da fé que professa”, diz a carta publicada nas redes sociais.

O grupo também critica o que chama de “vazamentos seletivos”, sobretudo durante o período eleitoral, e afirma que a divulgação de informações de forma fragmentada pode alimentar versões, atingir adversários e transformar uma investigação em instrumento político.

“A verdade não pode aparecer aos pedaços, escolhida conforme a conveniência do momento”, afirma a Frente, que cita trechos bíblicos ao longo da carta.

O movimento pede ainda a retirada do sigilo das investigações do caso Master para que sejam conhecidos documentos, mensagens, decisões e relações de todos os envolvidos.

“O mesmo critério deve valer para todos. Não pode haver rigor para uns e proteção para outros, sejam aliados, adversários, ministros, candidatos ou irmãos na fé”, diz outro trecho.

A manifestação ocorre em meio à crise aberta no STF depois de Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Além do caso Master, Mendonça concentra a relatoria de investigações de forte repercussão política e eleitoral. Estão sob sua responsabilidade o caso das fraudes no INSS, o inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e dois inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Protagonista da crise institucional, Mendonça tem recebido apoio de movimentos evangélicos conservadores. No ato de campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, na Avenida Paulista, no 7 de Setembro, o magistrado foi exaltado por manifestantes, que chegaram a levar um boneco inflável do ministro.

Na semana passada, em meio à crise no STF, Mendonça divulgou um vídeo para agradecer as manifestações de apoio e as orações recebidas de fiéis.

“Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho. Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família”, disse o ministro, que atua como pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana de Pinheiros.

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito reúne integrantes de diferentes denominações. Na própria carta, o movimento afirma contar com presbiterianos, batistas, metodistas, luteranos, pentecostais e integrantes de outras tradições evangélicas.

A carta termina com um apelo direto a Mendonça: “Como irmãos e irmãs em Cristo, pedimos que o senhor escolha a transparência. O Brasil precisa saber o que aconteceu. Tudo o que aconteceu.”

Blog Jussara Soares - CNN