Lula forma Mar Vermelho em BH e conclama eleitores de todas as idades a votar

03/10/2026 05h06 - Atualizado há 19 horas

Mesmo sob chuva, milhares acompanharam o presidente pelas ruas de Belo Horizonte; Lula fez apelo especial aos maiores de 70 anos e aos jovens e pediu mobilização até domingo

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Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Lula transformou as ruas de Belo Horizonte em um “Mar Vermelho” nesta sexta-feira (2), durante uma caminhada que reuniu milhares de apoiadores na reta final da campanha presidencial. Vestida majoritariamente de vermelho, a multidão acompanhou o presidente entre a Praça da Liberdade e a Praça Tiradentes, mesmo depois da forte chuva que atingiu a capital mineira.

Lula percorreu o trajeto em carro aberto, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, do candidato ao governo de Minas Gerais Patrus Ananias e das candidatas ao Senado Marília Campos e Áurea Carolina. A mobilização aconteceu a dois dias do primeiro turno, marcado para domingo (4).

Em seu discurso, Lula concentrou boa parte da mensagem em um chamado contra a abstenção. O presidente pediu especialmente que os brasileiros com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo, compareçam às urnas. “O Brasil precisa dos votos das pessoas de 70 anos, de quem ajudou a construir o Brasil”, afirmou.

O apelo também foi dirigido aos mais jovens. Lula pediu aos apoiadores que conversem com adolescentes de 16 e 17 anos e os estimulem a participar da eleição.

Lula aposta em vitória no primeiro turno

Diante da multidão, Lula afirmou estar confiante em uma definição da disputa já no domingo. “Eu tenho a convicção de que nós vamos ganhar as eleições no primeiro turno”, declarou. O presidente acrescentou que continuará mobilizado caso a eleição tenha uma segunda rodada.

Lula apresentou a eleição como uma das disputas políticas mais importantes de sua trajetória e relacionou o resultado das urnas à defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais.

Ao mesmo tempo, pediu aos apoiadores que não respondam a provocações de adversários durante os últimos dias da campanha. A orientação, segundo ele, deve ser concentrar as energias na mobilização eleitoral e no convencimento dos que ainda podem deixar de comparecer às urnas.

O presidente também voltou a criticar a extrema direita e o bolsonarismo, defendendo que a eleição seja usada para restabelecer um ambiente de civilidade na política brasileira.

Escala 6×1, bets e salário mínimo

Lula afirmou que a escolha feita nas urnas terá consequências concretas sobre temas que atingem diretamente a vida da população. Entre eles, destacou o debate sobre o fim da escala 6×1, as apostas on-line, a violência contra as mulheres e a política de valorização do salário mínimo.

O presidente também defendeu as políticas implementadas pelos governos do PT e pediu votos para candidatos comprometidos com a continuidade desses programas.

Em sua fala, Lula mencionou a expansão das universidades e dos institutos federais, o Pé-de-Meia, o Minha Casa, Minha Vida e políticas desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como exemplos de iniciativas que, segundo ele, mostram as diferenças entre os projetos políticos em disputa.

O presidente associou essas políticas à necessidade de eleger também uma bancada parlamentar capaz de sustentar no Congresso propostas de ampliação de direitos sociais.

Lula pede votos para Patrus

Em Minas Gerais, Lula fez uma defesa enfática da candidatura de Patrus Ananias ao governo estadual. O presidente lembrou a trajetória do aliado, que já foi prefeito de Belo Horizonte e ministro em seus governos.

“Companheiro que tem história, que tem biografia”, afirmou Lula ao apresentar Patrus aos apoiadores. O presidente disse acreditar que uma eventual eleição do petista poderia recolocar Minas Gerais em posição de destaque no cenário político nacional.

Lula também criticou adversários de Patrus e afirmou que a política não pode ser conduzida por meio de falsidades ou apenas pela busca de repercussão nas redes sociais. Em referência a Cleitinho Azevedo, disse que Minas não deveria trocar a experiência administrativa de Patrus por um candidato que, segundo suas palavras, “só sabe lacrar no celular”.

Além de Patrus, Lula pediu votos para Marília Campos e Áurea Carolina, candidatas ao Senado apoiadas por sua campanha.

Um Mar Vermelho sob a chuva

A chuva que atingiu Belo Horizonte atrasou o início da caminhada, mas não esvaziou a mobilização. Apoiadores permaneceram na Praça da Liberdade e novos grupos continuaram chegando enquanto aguardavam Lula. Quando o temporal perdeu força, a multidão voltou a ocupar as ruas para acompanhar o presidente.

Movimentos sociais, categorias profissionais, grupos religiosos e torcidas participaram da concentração. Entre os gritos ouvidos estavam referências a cidades da região metropolitana, manifestações religiosas e o coro “É o tetra”, em alusão à tentativa de Lula conquistar um quarto mandato presidencial.

Na reta final de seu discurso, Lula voltou ao ponto central da passagem por Minas Gerais: ninguém deve considerar seu voto dispensável.

Dos adolescentes que acabaram de conquistar o direito de participar das eleições aos brasileiros que ajudaram a construir o país e já ultrapassaram os 70 anos, o presidente pediu uma mobilização de todas as gerações nas urnas.

A mensagem que ficou do “Mar Vermelho” formado em Belo Horizonte foi a de transformar a multidão das ruas em comparecimento eleitoral no domingo.

Redação Brasil 247