Presidente da CPMI do INSS compra avião por R$ 1,5 milhão

28/03/2026 10h37 - Atualizado há 5 horas

Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, pagou valor 4,5 vezes maior que o desembolsado pelo antigo dono da aeronave

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HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

Documentos obtidos pela coluna mostram que o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), desembolsou R$ 1,5 milhão para comprar um avião por meio da Fazenda Salto Grande Ltda, da qual é sócio-administrador.

A cifra chama a atenção, uma vez que salta 4,5 vezes em relação aos RS 330 mil pagos pelo proprietário anterior três anos antes.

Viana adquiriu a aeronave EMB-810D (Seneca III), prefixo PTR-VD, em abril de 2025 e a quitou seis meses depois. Trata-se de um modelo bimotor, produzido em 1984 e registrado para voos privados e para transporte de pequeno porte.

A Fazenda Salto Grande fica em Verdelândia, no norte de Minas Gerais. O capital social da propriedade registrado junto à Receita Federal é de R$ 400 mil. Em 2024, Carlos Viana declarou patrimônio de R$ 3,5 milhões.

Confira o histórico do avião pertencente ao presidente da CPMI do INSS:

Outubro de 1984: começa a vida útil do avião;

Novembro de 1987: vendida por 7,1 milhões de cruzados;

Outubro de 1993: comprada por 6,5 milhões de cruzeiros reais;

Dezembro de 1994: transferida 93.150 cruzeiros reais;

Janeiro de 1996: vendida por R$ 80 mil;

Novembro de 1996: adquirida por por R$ 60 mil;

Maio de 1997: vendida por R$ 156,6 mil;

Novembro de 1998: comprada por R$ 114 mil para ser alugada por R$ 29.988,90 por mês;

Junho de 2000: empresa assumiu a propriedade definitiva após o fim do contrato com o pagamento simbólico de R$ 1 e vendeu por R$ 150 mil;

Março de 2002: transferida por R$ 150 mil;

Abril de 2007: vendida por R$ 130 mil;

Novembro de 2011: comprada por R$ 150 mil;

De 2012 a 2019: contrato de aluguel;

Setembro de 2022: vendida por R$ 330 mil;

Abril de 2025: Viana compra a aeronave por R$ 1,5 milhão em nome da fazenda.

A certidão de inteiro teor não esclarece as razões técnicas ou comerciais para que o preço da aeronave mais que quadruplicasse em três anos. Há o histórico jurídico e os valores declarados nas transações, sem detalhes sobre o estado de conservação ou eventuais melhorias.

À coluna, o piloto Antonio Tadeu da Silva, que vendeu a aeronave para o presidente da CPMI do INSS, atribuiu a valorização à realização de revisões gerais que estariam pendentes há anos, período em que o avião teria ficado parado por falta de manutenção. Também afirmou que a transação ocorreu por meio de empresas homologadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e dentro do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), com intermédio de um site de compra e venda e de um corretor.

“Comprei praticamente uma sucata, que virou novamente um avião”, assinalou o piloto, que é sócio-administrador que uma empresa que aluga aeronaves.

Segundo Antonio Tadeu, a revitalização incluiu a compra de peças, a troca de pneus e do painel de instrumentos e a revisão geral dos motores e das hélices, entre outros. “No final, [a manutenção] custou mais do que o valor final vendido.” O piloto disse que o pagamento ocorreu por meio de um depósito bancário e da transferência de um avião monomotor. Quando questionado, não deu detalhes.

Melissa Duarte

METRÓPOLES